
" BLOCO 2 "
A figura do vendedor de algodão doce, representada em escala de cinza, evoca personagens que habitam o imaginário coletivo das cidades brasileiras. Sua presença silenciosa estabelece um contraste com os campos cromáticos intensos ao fundo, aproximando a tradição figurativa de uma linguagem gráfica contemporânea. Na metade inferior da composição, um automóvel popular amarelo ocupa a cena com a mesma importância do personagem acima. Mais do que um objeto, ele simboliza deslocamento, identidade e pertencimento, tornando-se um elemento carregado de lembranças pessoais e referências culturais. O diálogo entre o preto e branco e as cores saturadas rompe a linearidade temporal da imagem. Enquanto a figura humana remete à memória e à permanência, os planos geométricos introduzem uma atmosfera quase abstrata, sugerindo que a lembrança nunca é estática, mas constantemente reconstruída.
A obra propõe uma reflexão sobre aquilo que permanece vivo na experiência cotidiana: pessoas comuns, objetos familiares e paisagens urbanas transformam-se em símbolos de uma memória compartilhada. Entre o documental e o poético, o trabalho convida o observador a reconhecer, na aparente simplicidade da cena, uma narrativa sobre tempo, afeto e identidade.
Acrílica, marcador e grafite sobre papel
canson montval 300g/m² - 55 x 80 cm
" EXPO LOW ART CONVIDA SEGUNDA EDIÇÃO "
A Exposição coletiva com os artistas LEONARDO TEIXEIRA "LOW", ÍCONE K, SOW 84,
ROBINHO SANTANA, FÁBIO MENINO, AKBO, POISÉ, JOVEM LUCK E ZULU LUIZA,
aconteceu na Roosevelt Skateshop em parceria com a COLD GALERIA
entre 15 de novembro de 2025 e 17 de janeiro de 2026
Agradecimento especial: Ulisses Muricy, Paulo Piquet (Obrigado pela companhia meu SQA) Família e amigos presentes.

" SUCATA "
Vale muito pra você, mas pra outra pessoa não vale nada.
Não vale nada pra você, mas pra outra pessoa ainda serve.
A pintura ergue um monumento ao descartado, tudo se empilha como se o acaso fosse arquiteto e a precariedade, escultora. A sucata, aquilo que já não serve, ressurge em equilíbrio frágil, como se cada objeto fosse um pensamento suspenso, uma memória incômoda que, ao menor toque, ameaça ruir. A imagem abre fissuras. O acúmulo material se transforma em metáfora do acúmulo emocional. Ódios, rancores, dores abafadas.O que é lixo para uns, é sustento para outros. Matéria de sobrevivência. Pintar aquilo que supostamente “não serve pra nada”. E, ao fazê-lo, prova o contrário. O inútil se torna imagem, a imagem se torna reflexão. A pintura também não serve pra nada, poxa, não me faz nem um café, não lava nem minha louça. FATO. Sucateado, jogado de lado, empilhado, esquecido e amontoado. “Sucata” não é apenas um registro do descartado, mas uma arquitetura simbólica que fala sobre resiliência, resistência e o modo como o acaso organiza e desorganiza nossa vida.
Acrílica, marcador e grafite sobre papel
canson montval 300g/m² - 42,0 x 59,4 cm

" Não vai dar certo essa história dos nossos sonhos darem errado "
Ironicamente essa era a frase que estava escrita no poste atrás dos rapazes na hora do meu ato de contemplação. Os senhores quebravam pedra portuguesa na marreta, separando as pretas das brancas e combinando os tamanhos, elas são muito irregulares, precisa ter a destreza. O preto mais novo bate a marreta, o mais velho cordena. Isso para remontar o desenho da calçada de Ipanema. Mas pra quem passar? Na pintura eu tiro as pessoas, pra leitura ficar mais solitária. O céu que era nublado, ja virou um inferno. O trabalho parece infinito. Mais eles estão calmos. Por dentro como que tá ? A frase não faz sentido pra eles. Mas estava lá na cena. Eu só reparei quando imprimi a foto para pintar. Decidi que esse ia ser o nome da obra, justamente pela ironia. A escravidão ainda existe e é visivel nas ruas do Brasil. Cuide bem dos seus sonhos. Porque tem gente que nem tem tempo pra sonhar.
Acrílica, marcador e grafite sobre papel
canson montval 300g/m² - 55 x 80 cm

















